Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para entender o futuro do corpo e da saúde na contemporaneidade

Não poderia deixar de divulgar esse programa com a participação do nosso amigo canoista, filósofo e psicanalista André Martins.

Bom divertimento a todos!


Caros,

É com muito prazer que informamos a exibição dos seguintes programas inéditos para o Café Filosófico do mês de Setembro e Outubro na TV CULTURA (canal 16 da Net) às 22 h.

Para entender o futuro do corpo e da saúde na contemporaneidade

Série de curadoria de André Martins

Nesta série, filósofos e psicanalistas procurarão questionar que corpo e que saúde queremos. Trata-se de colocar em perspectiva nossa concepção de saúde na contemporaneidade à luz de alguns autores – como Nietzsche, Spinoza, Foucault, Deleuze, Winnicott, Daniel Stern, Angel Vianna – que frisaram a relevância do papel do corpo como expressão de vitalidade e singularidade.

SETEMBRO

domingo 19/09, 22h - Corpo e Intensidade - Hélia Borges

O corpo vem sendo tema de pesquisas e intervenções cada vez mais elaboradas, produzindo um ideal de prazer ilimitado, fazendo com que o homem tenha cada dia mais dificuldade em lidar com os limites da própria vida. É sobre o corpo em sua qualidade sensível que incidem as formas de dominação, resultando em um processo de anestesiamento de seu campo intensivo. Pensaremos a possibilidade de desajuste das codificações corporais instituídas, viabilizando a capacidade de reinventar-se, necessária à afirmação da vida. (Hélia Borges)

domingo 26/09, 22h - Corpo e Cultura: A Grande Saúde - Nahman Armony e Carlos Martins

A concepção de saúde está ligada ao modo pelo qual eram vistas, em cada período da história, as relações entre corpo, psique e mente. Na pós-modernidade, Winnicott, com sua concepção de psicossoma, concebe a saúde basicamente como a capacidade de criar e de fruir a vida. A isso podemos acrescentar a afirmação da diferença e dos limites pessoais – que se contrapõem aos já datados mandatos de ideais de saúde. (Nahman Armony)

Tomando algumas de nossas práticas corporais como sintomas de nossa cultura, não poderíamos interrogar o seu grau de saúde e vitalidade? Neste sentido, o que haveria de positivo em alguns dos traços emblemáticos de nossa cultura que nos caberia sobretudo afirmar e não somente reduzir à mera alienação? Como pensar uma Grande Saúde como expressão de vitalidade cultural e singularidade de um estilo de vida? (Carlos José Martins)

OUTUBRO

domingo 03/10, 22h - Corpo e Saúde na contemporaneidade - André Martins

Há duas imagens do corpo na contemporaneidade. Por um lado, um corpo ideal, que serve como modelo e valor padronizado, oprimindo democraticamente todos nós, sem diferenciação de classe, gênero ou raça, na forma de um imperativo da felicidade, da saúde, da beleza e da juventude. Seus efeitos? Bulimia, anorexia, botox, fast-food, reality shows, banalização dos psicofármacos, altos índices de ansiedade e depressão, obesidade e doenças degenerativas ditas “de civilização”. Por outro lado, há também uma busca de saúde, beleza e jovialidade não ideais nem a qualquer preço, mas no sentido de uma valorização do corpo em sua potência própria e singular, como um corpo pensante e sensível, na forma de uma aceitação de que somos parte da natureza, de que dependemos do ambiente que nos cerca. Seus efeitos? Uma maior valorização do condicionamento físico, da alimentação saudável, do cuidado com o planeta, e da ecologia do homem inserido na natureza. Em que sintonia queremos viver? Optaremos pela falta, isto é, pela busca irrefreada de uma suposta abundância? Ou pela potencialização do que somos e podemos ser, desenvolvendo-nos criativamente? (André Martins)


André Martins é filósofo e psicanalista, professor Associado da UFRJ, vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRJ, Doutor em Filosofia pela Université de Nice, Doutor em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, com Pós-Doutorado Sênior em filosofia pela Université de Provence; professor visitante das Universidades de Reims e Amiens; membro do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro e do Espace Analytique de Paris; coordenador do Grupo de Pesquisas Spinoza e Nietzsche (SpiN-UFRJ); membro do Grupo de Pesquisas História, saúde e sociedade (Faculdade de Medicina da UFRJ); membro do Groupe International de Recherches sur Nietzsche (GIRN); e membro colaborador do Groupe de Recherches Spinozistes (GRS); autor de Pulsão de morte? Por uma clínica psicanalítica da potência (Ed.UFRJ, 2009) e organizador de O mais potente dos afetos. Spinoza e Nietzsche (Martins Fontes, 2009).

Hélia Borges, psicanalista, é Doutora em Saúde Coletiva pelo IMS/UERJ, professora da Faculdade Angel Vianna, onde leciona no curso de Pós-Graduação em Terapia através do Movimento, Corpo e Subjetivação.

Nahman Armony, psiquiatra e psicanalista, é Doutor em Comunicação pela UFRJ, membro da Sociedade Psicanalítica Iracy Doyle e do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, e autor de Borderline: uma outra normalidade (Revinter, 2010. 2ª ed. aumentada).

Carlos José Martins é doutor em filosofia pela UFRJ, professor do Departamento de Educação Física da UNESP, onde é membro do Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Desenvolvimento Humano e Tecnologias, e também professor participante do Programa Pós-Graduação em Educação da Unicamp.


Forte abraço!
Bárbara Fontana
Produtora Cultural CPFL Cultura

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