Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

domingo, 12 de setembro de 2010

7 de setembro na Ilha Grande

O feriado chuvoso cobriu a Ilha Grande de sombras, mas nem por isso deixei de aproveitar os dias de folga. Folga mesmo. Passei quatro dias descansando no Hotel Paraíso do Sol, na Enseada das Palmas, vendo pela janela a chuva cair cantando sua doce melodia. Comer, dormir, caminhar até Lopes Mendes... Remar? Claro que sim, afinal é só colocar o caiaque na água e se deixar levar.



Com uma turma simpática de jovens hóspedes do hotel, aproveitando que ainda tenho os caiaques surfinho usados na primeira circunavegação feita em 2001 guardados lá, e que a maré permitia passar do mar para o rio sem desembarcar, parti para explorar mais uma vez o manguezal que dá nome à Praia dos Mangues.



Apesar das mutucas fizemos um passeio  muito maneiro no labirinto de raízes. É impresionante a variedade de aves que podemos ver nesse ambiente. O difícil é fotografar esses bichos furtivos pois quando nos aproximávamos voavam pro meio do mato. Também me diverti vendo os inexperientes canoistas se embolando nas estreitas passagens com medo de capotar e ter que enfrentar os terríveis caranguejos azuis e suas patolas gigantes. A cada curva um tronco caído, um bambú, uma pedra obrigavam os remadores a fazer um desvio ou retroceder para encontrar uma outra passagem.




A maré que enchia o rio nos conduziu até onde as pedras do córrego bloqueiam a passagem. Dalí em diante só a pé. Então voltamos pelo mesmo caminho seguindo o trajeto sinuoso, tentando não encalhar nos bancos de areia, até encontrar as ondas do mar invadindo o brejo. Depois de passar pela arrebentação segui costeando até quase a ponta da Praia das Palmas e voltei.


Por mais que tentasse só comer e dormir, foi impossível, diante de um mar e de um rio daqueles, resistir à tentação de flutuar naquelas águas, ainda mais quando temos a companhia de pessoas tão agradáveis e animadas.


Enquanto isso, Marquinhos, Bruno, Lariana, Tonho, Volney e sua namorada curtiam a travessia entre Conceição de Jacareí e Lagoa Azul. Na sexta estavam na PU planejando a viagem com uma carta aberta sobre o capô do carro.


Bom demais saber que as trilhas do mar estão sendo percorridas por tanta gente amiga, gente que mesmo distante umas das outras comungam dos mesmos prazeres, da mesma energia, do mesmo cuidado com as trilhas do mar e suas beiradas.

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