Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Governo lança plano ousado para promover produção e consumo sustentáveis

Divulgação
Um conjunto de ações articuladas, que prometem uma revolução nas relações de consumo no Brasil, está em consulta pública no site do MMA de 21 d setembro até 11 de novembro de 2010.
Nos próximos três anos, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai trabalhar em conjunto com diversos atores para promover mudanças em nossos padrões de produção e consumo. Os atuais padrões logo não serão compatíveis com os limites físicos do planeta e o Brasil precisa estar preparado. Para isso, o MMA pretende mexer até nas prateleiras dos supermercados.
Um conjunto de ações articuladas que prometem uma revolução nas relações de consumo no Brasil entra em consulta pública no site do MMA de 21 e setembro até 11 de novembro de 2010. Em estrita consonância com novos marcos legais, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos e as resoluções do Conama, o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS) quer colocar na mesma mesa atores importantes do governo, do setor produtivo e da sociedade civil para mostrar que responsabilidade socioambiental dá lucro e ajuda a mover o país em direção ao desenvolvimento sustentável.
"Vamos convocar a sociedade! A ideia é sair da zona do conforto e agir imediatamente", avisa a secretária da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, responsável também pela campanha Saco é um Saco, que já retirou dos supermercados 800 milhões de sacolas plásticas potencialmente nocivas ao meio ambiente. Como foi formulado, o Plano é um "guarda-chuva" de programas governamentais e ações do setor privado e da sociedade civil previstas e em curso, uma agenda positiva para mostrar os esforços que o governo e a sociedade estão fazendo. A ideia central do Plano é a articulação entre essas iniciativas, de maneira a fomentar a mudança para padrões mais sustentáveis de produção e consumo.
O novo plano está disponível para contribuições durante o período de consulta pública, que urará 45 dias, no site www.mma.gov.br/ppcs. "A vida das pessoas vai ser afetada diretamente, por isso pedimos que elas participem, por meio de suas organizações da sociedade civil, empresas e órgãos públicos&uot, solicita Samyra. As sugestões serão analisadas pelo Comitê Gestor do Plano e podem fazer parte do documento final, que estará pronto ainda este ano. O Plano pretende que o consumo consciente deixe de ser visto como "alternativo" e passe de segmento de mercado à regra geral.
Com seis prioridades selecionadas para o primeiro ciclo, previsão de prazos e sob constante acompanhamento, o plano está previsto para ser implementado em três anos (2011-2013). As prioridades inicialmente selecionadas são: educação para o consumo sustentável, construções sustentáveis, agenda ambiental na administração pública (A3P), vrejo e consumo sustentáveis, compras públicas sustentáveis e aumento da reciclagem de reíduos sólidos.
O PPCS é fruto da constatação de que o consumidor brasileiro está cada vez mais atento à questão da sustentabilidade. Pesquisas de diversos institutos revelam que, se pudesse escolher, considerando preço e qualidade, o brasileiro preferiria produtos que não agridem o meio ambiente. Samyra reconhece as dificuldades em estabelecer novos padrões de produção e consumo, mas acredita que com informações suficientes e produtos chegando às prateleiras dos supermercados a preços acessíveis e com responsabilidade ambiental comprovada, as mudanças podem começar no curto prazo.
É esta a análise que faz com que a espinha dorsal do Plano seja a articulação entre os diversos setores da sociedade brasileira para ampliar o mercado de produtos sustentáveis e promover a mudança de hábitos de consumo.
Serviço: Consulta Pública do Plano de Ação para Produção e Cnsumo Sustentáveis: www.mma.gov.br/ppcs
Endereço eletrônico institucional: ppcs@mma.gov.br
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CorreioMM@ - Ministerio do Meio Ambiente

domingo, 26 de setembro de 2010

Limpeza das praias: Clean Up no mar

Sexta-feira dia 24 foi dia de muito vento. Mesmo na enseada de Botafogo, saindo da Praia da Urca, dava pra sentir sua força empurrando Jurupi silenciosamente na direção da Ponta de São João, onde Flávia e Helio já deviam ter chegado. Uma delícia remar quase sem esforço vendo a proa cortar a água, mesmo que algumas vezes sentisse certa instabilidade provocada pelas ondulações de popa.

Remei da Urca até a Praia de fora, depois encontrei Bruno, Marquinhos, Lariana e Pedro boiando diante do Forte São José em dois caiaques duplos. Contornamos o Forte da Laje e retornamos para a Praia da Urca sacolejando no mar encrespado que balançava os caiaques sem parar. A proa subia e depois caía num estrondo levantando borrifos de água quase cristalina. Água cristalina na entrada da baía? Sim, a água estava limpa.

Tamanha limpeza e o forte vento SW que antecedeu a entrada da frente fria me fizeram pensar que no dia seguinte nossa faxina seria frustrada. Esqueci que uma frente fria vem acompanhada de chuva, e que chuva é sinônimo de praias sujas.

Três quartos do nosso planeta são cobertos por oceanos, e a parte continental que sobra é cortada por numerosos rios que drenam enorme quantidade de nutrientes para o mar. Uma coisa linda esse tal ciclo da água: o mar alimenta as nuvens, a chuva alimenta os rios, os rios alimentam o mar. Mas os rios do planeta não carreiam só nutrientes. Suas águas também conduzem uma quantidade absurda de lixo. Resíduos do nosso consumo desenfreado atestam nosso enorme progresso, nossa riqueza, nossos tão desejados desenvolvimento e crescimento econômico.

Mas que espécie de pujança é essa que inunda nosso litoral de tanta porcaria? Todo produto que consumimos vem embalado e reembalado. E pra onde vão todas essas embalagens? Pro mar. Vão dar na praia.

O que fazer? A Comlurb afirma que a coleta de lixo cobre quase 100% da cidade, inclusive com coleta seletiva. Se a Comlurb recolhe o lixo, então de onde vem tanta sujeira? Acertou que disse da minha, da sua, da nossa casa! É...não dá pra tapar o sol com a peneira minha gente. Essa porcariada toda é minha, é sua, é nossa! Então já que a imundice é nossa que tal se a gente fosse limpar um pouquinho nossa praia?

Foi o que fizemos no sábado. Nos encontramos na Praia da Urca pra uma remada até a Praia do Morcego em Niteroi, logo depois da Ponta da Jurujuba. Nosso amigo Caranguejo preparou um super capuccino pra animar a galera, e como todo pretexto é bom pra remar, sobretudo se for acompanhado de bolo, biscoitos, pão, mortadela, bananas e maçãs, reunimos 14 canoistas amigos e amigos dos amigos.

Não encontramos o vento que soprava na vespera. O mar estava liso e o céu um pouco encoberto por algumas nuvens que foram esgarçando, deixando passar um pouco de sol. A maré vazante jogava pra fora sem força suficiente para desviar o rumo e um pequeno abatimento pra bombordo bastava pra endireitar o curso.

  
Com uma hora de remada desembarcamos na prainha e imediatamente começamos a catar o lixo miudo que se escondia entre a vegetação rasteira. Tonho foi preparar o capuccino e em poucos minutos estava chamando. - O café está na mesa senhoras e senhores, venham comer! Os mais famintos logo cercaram a toalha colocada sobre uma ponte de cimento, enquanto outros acabavam de encher os primeiros sacos com tampinhas de garrafa e fragmentos de isopor. Depois todos se reuniram em animada conversa sobre a paradoxal realidade das nossas beiradas, misto de beleza e sujeira.

Enquanto rolava o papo, passaram duas OC6 do clube Mauna Loa de Charitas, nossos amigos do lado de cá do brejão, da grande poça que separa o Rio de Niteroi. Gritamos convidando-os para desembarcarem na volta do treino. Quando retornaram já tinhamos enchido algo em torno de 30 sacos de lixo. Tiramos fotos, trocamos algumas palavras e depois fomos embora rebocando o caiaque caçamba levado só pra carregar o lixo recolhido. Duas OC2 também pintaram por lá de forma que num dado momento tinham 30 canoistas reunidos na praia.
No caminho de volta, antes da ponta da Jurujuba passamos por um amontoado de lixo flutuante. Já não tinha espaço no caiaque, mesmo assim ainda recolhemos uns 4 sacos de detritos fedidos antes de seguir pra Urca, onde chegamos por volta das 11 horas.

Com os barcos safos, reunimos os sacos em frente a dois conteineres da Comlurb e nos colocamos em fila Eu, Letícia, Malu, Bruno, Marquinhos, Tonho, Alê, Iuri, Gustavo, Ana, Flávia, Edu e Maurício para uma foto. Só faltou o Will que ficou em Charitas. Em seguida cada um foi arrumar suas tralhas para partir.

Pouco a pouco a praia ficou vazia de canoistas só restando as caçambas de lixo. Uma rodada de várias voltas de chopp gelado encerrou o evento de limpeza. Mesmo sabendo que nosso gesto jamais seria suficiente pra resolver o problema estávamos contentes e satisfeitos. Mais uma vez conseguimos estar em paz entre amigos e voltar pra casa em segurança, com o sentimento de dever cumprido.
Que venham outros Clean Up, estaremos sempre dispostos a dizer: presente! E que presente!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

De carro na contra-mão do dia mundial sem carro.

Minha bicicleta amanheceu com o pneu murcho só me deixando a alternativa de ir de carro para a praia. Taí uma coisa que me deixa constrangido: em pleno dia mundial sem carro, tirar o carro da garagem só pra fazer um deslocamento de aproximadamente 5 Km. Aliás, segundo uma pesquisa que li há um tempo, a média dos deslocamentos de carro no Rio não passa disso mesmo. E o pior, levando uma pessoa e meia numa velocidade média de 40Km/h. Um absurdo! Queimar litros de gasolina pra andar tão pouco, numa velocidade ridícula, deslocando mais aço e plástico do que gente... Tudo bem, no meu caso isso não é regra, é exceção.
Visto que o Candido não apareceu, resolvi ir pra Urca, onde está meu caiaque individual, em vez de ir para a Praia Vermelha. Além disso, na PV as vagas são disputadíssimas, e pela hora teria dificuldade para estacionar.

A bola de fogo do sol já estava inteira sobre os morros de Niterói quando passei pelo aterro. Precisava me apressar se não quisesse perder a companhia dos canoistas da Urca. Felizmente, Bruno e Marquinhos ainda estavam tirando as tralhas do carro quando cheguei. O Gustavo também estava na praia pensando em sair sozinho no seu duplo, então decidi ir com ele em vez de sair de individual. Pouco depois chegou o Pedro, aluno do Bruno. Uma OC6 também já estava na beira d'água quase pronta pra zarpar com 6 remadores do Urca Va'a, tendo o Paulo Cordeiro no leme. Bela manhã repleta de remadores felizes e bem dispostos.

Parti com o Gustavo em direção à Praia Vermelha enquanto Bruno, Marquinos e Pedro acabavam de se aprontar para seguir na mesma direção em duas caiarcas duplas. O mar estava tranquilo e sem lixo na superfície. Faz um tempo que não vejo a imundice habitual. Digo que não vejo, porque todos sabemos que as águas do litoral do Rio estão super poluídas por esgoto. É desolador pensar que os emissários da Barra, de Ipanema e de Icaraí despejam todo dia milhares de litros de esgoto no mar sem nenhum tratamento. Não quero desanimar ninguém, mas a verdade é que remamos num caldo de merda. O que os olhos não veem o coração não sente...

Na passagem pela Ponta de São João as ondas se debruçavam sobre as rochas num vai-e-vem contínuo. Água mole em pedra dura, tanto bate até que...jura. Juras de amor eterno do mar pelas pedras, das pedras pelo mar. A maré de pouca amplitude não ajudava nem atrapalhava o seguimento. Remamos sem dificuldade, curtindo o remelexo das ondas até o desembarque na PV para regular os finca-pés. Esse trajeto de mais ou menos 5 Km foi feito em 33 minutos, já contabilizadas as curtas pausas para fotos. No cavalete da PV dei falta da Abaeté. - Hum... Letícia deve estar remando pelas beiradas do Posto 6 com mais alguém. 

Entramos novamente no mar tomando cuidado com as ondas que quebravam sem muita força, mas que diziam pra tomar cuidado, afinal qualquer distração pode se transformar num acidente por alí. Cruzamos com as duas caiarcas  perto da laje e seguimos pra boca da barra. Roçamos o costão do Pão de Açúcar e logo adiante vimos duas OC1 paradas em frente ao Forte São José. Quando nos aproximamos reconhecemos Iuri e Alê que já retornavam pra PU. Caraca, como tem gente na linha d'agua hoje!

Eu e Gustavo ainda tentamos sem êxito surfar as pequenas ondulações perto da Coruja. Em alguns minutos estávamos na praia e logo iniciamos os preparativos para ir embora encarar mais um dia de trabalho. Nisso chegou o Tonho que apesar do atraso não desistiu de remar. A ultima imagem que vi foi do Ulmo na beira quase pronto pra passear.

Antes de irmos embora confirmamos o encontro de sábado. A ideia é tomar um capuccino e dar uma limpada na prainha da Ponta de Jurujuba, afinal será dia de Clean Up e não podemos deixar de dar uma força. O Rio agradece.

Ah! Antes que eu me esqueça: se você é um daqueles que gosta de andar de bicicleta por lazer ou como meio de transporte, entre nesse site http://www.ta.org.br/. Está cheio de dicas para ciclistas, cadeirantes, skatistas, patinadores e demais usuários de veículos a propulsão humana. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Remada na chuva no dia do Clean Up

O sol da sexta parecia querer contestar a previsão de chuva para sábado, mas infelizmente a chuva caiu, tímida mas caiu. 
Da ciclovia em Botafogo a paisagem estava esmaecida, e eu arrependido por não ter pego a capa de chuva. Perto do quadrado a água parada não denunciava o que o vento fazia com o mar lá fora.



Tonho já estava na Urca tocando sua viola dentro do carro quando cheguei. Provavelmente o evento de limpeza seria adiado, mas quem liga?  Resolvemos começar a catação alí em volta da base mesmo.
Enquanto os outros não chegavam, duas OC6 acopladas em catamarã retornavam do treino com 12 remadores, e quem chegou também foi um Bem-Te-Vi que ficou posando para fotos em cima da ama da Maia. Enchemos um saco com uma quantidade enorme de guimbas de cigarro e uma porção de lixo miudo.
  


Depois chegaram Vini, Flávia, Tufi, Raffa, Bruno, Marquinhos e Tufi. Bruno vinha com a notícia definitiva do adiamento do evento. Pra não perder a viagem decidimos procurar o Leão Marinho que o Bruno disse ter avistado na véspera lá na Pedra do Anel. Leão Marinho em águas cariocas? Será possível?


Às 10 horas 2 caiaques duplos e 4 simples partiam em direção da boca da barra. A água estava clara e sem lixo na superfície. Passando o Cara de Cão o mar agitado não chegava a assustar mas recomendava cautela.


Eu e Tonho seguimos sem dificuldade apesar do vento SW. Remamos perto da costeira brincando com as ondas sem nos arriscar. Na nossa frente estavam Bruno e Marquinhos na outra caiarca mariscando nas pedras, mais atrás vinham Flávia, Vini, Tufi e Raffa. 



  

Paramos ao lado da pedra do Anel e nem sinal do Leão Marinho. Uma garça pousada sobre a pedra parecia achar estranho nossa presença.

Por incrível que pareça não tinha lixo flutuando, só aquela espuma nojenta, comum quando o mar está mexido, mesmo assim o Tonho não hesitou em mergulhar.

Ficamos boiando, roendo a merenda que o Tonho levou e conversando. Mas o Bruno tinha um casamento, então não demoramos muito por alí.


  
A volta foi feita contornando a parte de fora da Cotunduba no meio do mar agitado. Apesar do céu nublado e da chuva fina, em algumas passagens a água tinha um lindo tom de verde. Os caiaques fizeram o trajeto de volta rapidamente empurrados pelo vento.


  
Pouco antes das 13 horas já estávamos com os pés roçando as areias da PU. Para um dia que parecia perdido, até que nos divertimos bastante.


Não catamos lixo no mar, não vimos o tal do Leão Marinho, mas no final das contas valeu a remada. É como sempre digo: qualquer pretexto é bom para encontrar os amigos e percorrer as trilhas do mar.
Agora resta esperar que o tempo fique firme para podermos fazer a faxina no sábado que vem.