Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Despertando o canoista que existe em cada um


Uma das coisas mais interessantes que acontecem quando vários canoistas se encontram numa praia é a curiosidade que despertam nas pessoas, principalmente nas crianças, que ficam encantadas com o colorido dos caiaques e com a alegre agitação dos remadores. É verdade que parecemos um pouco juvenis quando nos reunimos para remar e talvez seja isso que crie tamanha identificação nas crianças. Imagina, poder sair navegando de verdade num barquinho que parece um brinquedo!


Um evento como o curso que o CCC promoveu na PU esse fim de semana revela isso de forma clara. Toda hora tinha um guri subindo ou entrando num caiaque, pegando um remo, se enfiando num colete. Não dava nem pra ficar de bobeira senão era capaz de uma delas pegar um barco e sair remando. 

Muitas pessoas param para fazer perguntas, procurando saber um pouco mais sobre os caiaques e sobre a atividade em si. A capacidadae de despertar a curiosidade é um dos motivos pelos quais devemos procurar sempre realizar esses encontros, pois é a partir de momentos privilegiados como esses que formaremos uma legião cada vez maior de adeptos.

Segura, senão o moleque vai embora.



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Águas coloridas e encontros inesperados


Adivinhem quem encontrei na Cotunduba na sexta-feira passada?
Passei na PV para levar o caiaque até PU por causa do curso com o Fuchs no sábado. Não queria fazer isso no dia pra não ter que chegar muito cedo.


Manhã clara, sol quase escaldante, céu azul, mar flat, ventinho a toa. Chegando na praia, logo dei falta do cabo horn duplo e do anaico que ficam parados alí sem sair muito pro banho. Quem será que está no mar? Pedro, Eduardo...? Se são eles, devem estar na Cotunduba. Então toca pra Cotunduba.


A água marrom no canal não dava nenhuma dica do que seria na ilha. Antes de passar pelas pedras que protegem a enseada fiquei adimirando a transparência da água. Como é que pode? Águas próximas mas com colorações tão diferentes... Com certeza as águas vindas da baia com a vazante passavam direto sem entrar na enseada da Cotunduba.


De longe avistei umas figuras escalando as pedras. Um deles era realmente o Edu Pastusiak. Uma pequena remada hesitante e opa! Meti o caiaque de bico na pedra. Bateu fraquinho, nem quebrou. Então passei pelas pedras, desci, coloquei o caiaque na laje que a maré baixa deixava exposta aquela hora e fui de encontro ao grupo. Estavam lá, além do Eduardo, o Leandro Iron Man e o Marcelo.


Que maneiro! Não via esses caras há um tempão. O Marcelo eu não conhecia. O Eduardo é um velho companheiro de remadas; fundamos juntos o Clube Carioca de Canoagem. O Iron também é das antigas. Os dois estavam na primeira travessia para as Ilhas Maricás em 2005. Também estavam numa tentativa de chegar à Ilha Grande que ficou duas noites parada na Ilha do Tatu em Sepetiba por causa do mau tempo e que terminou quase em catastrofe na praia de Guaratiba. Enfim, lembranças lembradas num dia de sol na Cotunduba de águas trasparentes. Coisa de louco. Um daqueles momentos nostálgicos em um aquário natural.



Dalí segui para a PU. Sentia o vento batendo sem muita convicção na minha escápula direita. Passei pela ponta do Pão de Açúcar, depois pelo Cara de Cão. Estavam sossegados franqueando uma remada sem sustos e solavancos. Apesar de passar com frequência por essas bandas, é sempre uma grande alegria observar o Forte São José e o Forte da Laje guardando a entrada da baía.



Em compensação, na virada do Cara de Cão o ar foi tomado por um cheiro de carniça insuportável. Devia ter um bicho morto por perto, mas não fiquei muito tempo pra saber de onde vinha, não. Em seguida o cheiro de carne podre foi substituido por cheiro de óleo. Impressionante! Quando não tem lixo, tem cheiro ruim.  No caminho avistei um navio passando pelo canal e um barco de pesca fundeado.



Já dentro da enseada de Botafogo bateu um terral bem forte prejudicando um pouco o seguimento, mas nada que impedisse o avanço do caiaque. Sei que desembarquei nas areias da PU contente pelo encontro com velhos amigos e, apesar dos odores, contente também com a relativa limpeza das águas na enseada, pois teríamos um ambiente mais saudável para treinar as manobras que nos seriam mostradas pelo Fuchs. Depois conto como foi.


Resolução CONTRAN 349/2010 - Conclusão

Esse fim de semana foi intenso. Ontem terminou o curso de canoagem que o CCC promoveu com o Fuchs no sábado e no domingo lá na PU. Mas não vou falar sobre isso agora, quem quiser se adiantar pode dar uma olhada no beiradas. Antes vou concluir o assunto sobre as resoluções do CONTRAN para transportes de caiaques e canoas em automóveis.

Experimentei, só pra testar, renovar uma AET pelo site do DNIT e apareceu mesmo que a resolução 577/81 foi revogada. Nosso amigo Gustavo escreveu pra lá dizendo que queria transportar um caiaque ultrapassando um pouco o comprimento do carro, e querendo confirmar a revogação da resolução 577/81 pela 349/2010, porque quando ele tenta emitir a autorização aparece:  "Não é necessário emitir AET para este tipo de transporte". O caiaque dele é um Expedition da Opium com 5,70 metros de comprimento.

A resposta da Larissa de Souza Corrêa, Engenheira do Setor de Autorização Especial de Trânsito - AET, da Coordenação de Operações Rodoviárias, informa que a  resolução n.º 577/81 realmente foi revogada pela resolução n.º 349/2010, e que segundo a nova resolução não é mais necessário ter uma AET para este tipo de transporte, desde que não  ultrapasse os limites definidos, isto é: o caiaque não pode exceder a largura máxima do veículo; não pode haver excesso dianteiro; a altura máxima não pode passar de 50 cm e o balanço traseiro não pode ser maior que 60% do valor da distância entre os dois eixos do veículo.

O que ela disse está na resolução, ou seja: de agora em diante não precisa mais de AET, mas não pode sobrar nada, nada na dianteira. Se não me engano não dá pra transportar um cabo horn duplo ou uma kaiarca sem ultrapassar o limite dianteiro e sem que ultrapasse o balanço traseiro. Por favor, confirmem.

A conclusão disso tudo é que  ficou mais fácil e desburocratizado carregar um caiaque no carro quando os limites forem respeitados. Porém, ficou impossível fazer o mesmo com um caiaque muito grande. Em geral os modelos oceânicos tendem a extrapolar o comprimento de um carro de passeio pequeno, e como não há mais a possibilidade de fazer uma AET para esses casos, o jeito será usar uma carreta apropriada.

Pra mim ficou melhor, pois meu caiaque, modelo Amazônia da Opium, com 4,30 metros, cabe direitinho dentro da norma. Ainda não verifiquei o que acontece com barcos maiores, por isso peço aos amigos que, se puderem, digam como ficou pra cada um. Estou pensando no caso do Bruno que tem uma kaiarka, mas também no caso dos que remam canoas OC1 e OC2. Por favor, mandem notícias, e não esqueçam de informar sobre os modelos dos carros e dos barcos pra gente ter uma noção.

Obrigado.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Transporte de caiaques em estradas federais: Resolução CONTRAN n° 349 de 2010

Fiquei sabendo pelo Gustavo que ao tentar emitir, através do site do DNIT, uma AET para transportar seu caiaque sobre o teto do carro apareceu uma mensagem dizendo que "Não é necessário emitir AET para este tipo de transporte". Não tinha conhecimento dessa novidade, fui dar uma pesquisada e descobri que de fato a resolução CONTRAN 577/81 foi substituida pela resolução n° 349 de 17 de maio de 2010, modificando alguns aspectos da antiga norma.
Ainda não fiz uma leitura atenciosa da nova resolução, não sei o que mudou para quem precisa transportar um caiaque oceânico ou canoa num carro de passeio.
No que se refere ao transporte de bicicletas, houve uma melhora substancial na clareza do texto, mas quando o assunto é caiaque, penso que permaneceram uma série de pontos passíveis de interpretações, tanto da parte do condutor quanto do agente da PRF.
Sem querer fazer uma interpretação da norma, vou me ater ao texto, fazendo apenas algum comentário sobre um artigo ou outro. O texto foi tirado dessa fonte.

RESOLUÇÃO CONTRAN Nº 349, DE 17 DE MAIO DE 2010
Dispõe sobre o transporte eventual de cargas ou de bicicletas nos veículos classificados nas espécies automóvel, caminhonete, camioneta e utilitário.

Comentário: como todos sabemos, caiaque não é bicicleta, então, pela norma, caiaque e canoa são simplesmente  cargas. Isso significa que os canoistas não constituem uma massa crítica capaz de fazer reconhecer a necessidade de uma norma específica.
  
O CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO CONTRAN, usando da competência que lhe confere o inciso I do artigo 12 da Lei nº 9503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro – CTB, e conforme o Decreto nº 4711, de 29 de maio de 2003, que dispõe sobre a coordenação do Sistema Nacional de Trânsito, Considerando as disposições sobre o transporte de cargas nos veículos contemplados por esta Resolução, contidas na Convenção de Viena sobre o Trânsito Viário, promulgada pelo Decreto nº 86714, de 10 de dezembro de 1981; Considerando o disposto no artigo 109 da Lei nº 9503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro - CTB; Considerando a necessidade de disciplinar o transporte eventual de cargas em automóveis, caminhonetes e utilitários de modo a garantir a segurança do veículo e trânsito; Considerando a conveniência de atualizar as normas que tratam do transporte de bicicletas nos veículos particulares. Considerando as vantagens proporcionadas pelo uso da bicicleta ao meio ambiente, à mobilidade e à economia de combustível;

RESOLVE:

Capitulo I

Disposições Gerais

Art. 1º Estabelecer critérios para o transporte eventual de cargas e de bicicletas nos veículos classificados na espécie automóvel, caminhonete, camioneta e utilitário.

Art. 2º O transporte de cargas e de bicicletas deve respeitar o peso máximo especificado para o veículo.

Art. 3º - A carga ou a bicicleta deverá estar acondicionada e afixada de modo que:

I- não coloque em perigo as pessoas nem cause danos a propriedades públicas ou privadas, e em especial, não se arraste pela via nem caia sobre esta;

II- não atrapalhe a visibilidade a frente do condutor nem comprometa a estabilidade ou condução do veículo;

III- não provoque ruído nem poeira;

IV- não oculte as luzes, incluídas as luzes de freio e os indicadores de direção e os dispositivos refletores; ressalvada, entretanto, a ocultação da lanterna de freio elevada (categoria S3);

Comentário: a ressalva do item IV se refere as luzes de freio que ficam no alto do parabrisa traseiro.

V- não exceda a largura máxima do veículo;

Comentário: é pra levar em conta a carroçaria.

VI- não ultrapasse as dimensões autorizadas para veículos estabelecidas na Resolução CONTRAN n° 210, de 13 de novembro de 2006 , que estabelece os limites de pesos e dimensões para veículos que transitam por vias terrestres e dá outras providências, ou Resolução posterior que venha sucedê-la.

Comentário: os itens V e VI parecem não ter modificado nada em relação à antiga norma. 

VII- todos os acessórios, tais como cabos, correntes, lonas, grades ou redes que sirvam para acondicionar, proteger e fixar a carga deverão estar devidamente ancorados e atender aos requisitos desta Resolução.

VIII- não se sobressaiam ou se projetem além do veículo pela frente.

Comentário: acho que ficamos na mesma, só que agora não tem AET para ultrapassar o limite dianteiro. Isso é mau.

Art. 4º Será obrigatório o uso de segunda placa traseira de identificação nos veículos na hipótese do transporte eventual de carga ou de bicicleta resultar no encobrimento, total ou parcial, da placa traseira.

§1° A segunda placa de identificação será aposta em local visível, ao lado direito da traseira do veículo, podendo ser instalada no pára-choque ou na carroceria, admitida a utilização de suportes adaptadores.

§2° A segunda placa de identificação será lacrada na parte estrutural do veículo em que estiver instalada (pára-choque ou carroceria).

Capítulo II

Regras aplicáveis ao transporte eventual de cargas

Art. 5º Permite-se o transporte de cargas acondicionadas em bagageiros ou presas a suportes apropriados devidamente afixados na parte superior externa da carroçaria.

§1° O fabricante do bagageiro ou do suporte deve informar as condições de fixação da carga na parte superior externa da carroçaria e sua fixação deve respeitar as condições e restrições estabelecidas pelo fabricante do veículo

§2° As cargas, já considerada a altura do bagageiro ou do suporte, deverá ter altura máxima de cinqüenta centímetros e suas dimensões, não devem ultrapassar o comprimento da carroçaria e a largura da parte superior da carroçaria. (Veja a figura 1 na fonte)

Y≤ 50 cm, onde Y = altura máxima;

X ≤ Z, onde Z = comprimento da carroçaria e X = comprimento da carga.

Comentário: tá igual.

Art. 6º Nos veículos de que trata esta Resolução, será admitido o transporte eventual de carga indivisível, respeitados os seguintes preceitos:

I- As cargas que sobressaiam ou se projetem além do veículo para trás, deverão estar bem visíveis e sinalizadas. No período noturno, esta sinalização deverá ser feita por meio de uma luz vermelha e um dispositivo refletor de cor vermelha.

Comentário: agora tá na lei: é preciso colocar uma luz vermelha e um olho de gato, também vermelho, na extremidade traseira quando o transporte for feito à noite. 

II- O balanço traseiro não deve exceder 60% do valor da distância entre os dois eixos do veículo. (Veja a figura 2 na fonte)

Comentário: entendo que agora pode haver um excedente na traseira sem necessidade de uma AET, desde que respeitados os limites impostos pelos itens I e II. Porém continua proibido o excedente na dianteira (veja art. 3° item VIII).

B ≤ 0,6 x A, onde B = Balanço traseiro e A = distância entre os dois eixos. (Veja a figura 2 na fonte)

Art. 7º Será admitida a circulação do veículo com compartimento de carga aberto apenas durante o transporte de carga indivisível que ultrapasse o comprimento da caçamba ou do compartimento de carga.

Capítulo III

Regras aplicáveis ao transporte de bicicletas na parte externa dos veículos

Art. 8º A bicicleta poderá ser transportada na parte posterior externa ou sobre o teto, desde que fixada em dispositivo apropriado, móvel ou fixo, aplicado diretamente ao veículo ou acoplado ao gancho de reboque.

§ 1º O transporte de bicicletas na caçamba de caminhonetes deverá respeitar o disposto no Capítulo II desta Resolução.

§ 2º Na hipótese da bicicleta ser transportada sobre o teto não se aplica a altura especificada no parágrafo 2º do Artigo 5°.

Art. 9º O dispositivo para transporte de bicicletas para aplicação na parte externa dos veículos deverá ser fornecido com instruções precisas sobre:

I- Forma de instalação, permanente ou temporária, do dispositivo no veículo,

II- Modo de fixação da bicicleta ao dispositivo de transporte;

III- Quantidade máxima de bicicletas transportados, com segurança;

IV- Cuidados de segurança durante o transporte de forma a preservar a segurança do trânsito, do veículo, dos passageiros e de terceiros.

Capítulo IV

Disposições Finais

Art. 10° Para efeito desta Resolução, a bicicleta é considerada como carga indivisível.

Art. 11° O não atendimento ao disposto nesta Resolução acarretará na aplicação das penalidades previstas nos artigos 230, IV, 231, II, IV e V e 248 do CTB, conforme infração a ser apurada.

Art. 12° Esta Resolução entra em vigor noventa dias após a data de sua publicação, ficam revogadas as Resoluções nº 577/81 e 549/79 e demais disposições em contrário.

Comentário: entrou em vigor dia 17 de agosto de 2010.

Resolução CONTRAN 3492010 - conclusão
Como transportar caiaques e canoas em estradas federais
Veja também

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mutirão na Urca

Sábado, 21 de agosto. A manhãzinha fria de céu encoberto por névoa fina chamava pra uma soneca prolongada. Haja coragem pra sair da cama; haja disposição pra levantar e ir cimentar os buracos no calçamento em frente às cabines da PU. Mas estando entre amigos tudo é festa e divertimento. Além do mais, compromisso é compromisso, e aquela área anda precisando mesmo de cuidados.
Flávia, Letícia, Gustavo e Ana ainda estavam no mar deslizando na Maia pelos cantos das beiradas. Com uma vassoura em punho via chegar aos poucos as gentes do lugar: Tonho, Bruno, Marquinhos, Alê, Vini, cada um trazendo sua parcela de valiosa ajuda. Até mesmo o Wagner, que a tempos eu não via, chegou trazendo dez metros de fio e brocas para furar as duras hastes de massaranduba do cavalete.


Parado, fitando o mar, vi quando a Maia voltou trazendo sorrisos escancarados. Abraços, beijos, mãos estendidas, o prazer de reencontrar os amigos.

Ainda envoltos em euforia iniciaram os trabalhos. As ferramentas foram passando de mão em mão, mãos amigas que se dão, dando uma mão umas às outras, terminando de furo em furo a adaptação das traves que seguram a canoa rosa da Alê. 

No meio do reco-reco, do toc-toc, mais um pedaço de chão também foi consertado perto do canteiro que fica na lateral do prédio que um dia foi o hotel balneário da Urca. Qual o som faz uma mão que aplaude sozinha?


Ainda falta muito o que fazer por alí, mas dá pra ver bem a diferença do que era um tempo atrás. Devagarinho vamos dando um jeito no local. Da próxima vez vou ver se começo, melhor dizendo, continuo, a restaurar a fachada das cabines pra depois dar uma demão de tinta.

Não remei. Os que remaram puderam aproveitar do tantinho de sol, que dava as caras de ora em vez, e do mar calminho, calminho. Lá fora passaram três canoistas do Guanabara. Na beira chegava uma canoa de 6 vinda do treino.
Com as traves do cavalete consertadas, saiu de novo a Maia pra passear mais um pouco, agora levando a Flávia, Edu, Ali, Lelê e sei lá mais quantos couberam no seu bojo generoso. Passeio rápido pelas bordas da Urca, pelas sujas águas da enseada de Botafogo, da bela e fedorenta Botafogo.



Fiquei em terra pois ainda tinha uma buraqueira danada pra tapar. Meus braços cansados pela falta de costume de virar massa, de manobrar a colher de pedreiro, já não respondiam de pronto ao meu comando. Ainda que mancos continuaram a se mexer movidos pela vontade de terminar logo o que haviam começado.

Mal conseguia disfarçar minha satisfação de ver o espaço ganhando ares de coisa tratada. Mal conseguia esconder o ticão de orgulho que sinto de fazer parte desse todo amigo que ao longo dos anos vem construindo uma "casa" e uma identidade fraterna pra canoagem carioca.


Só de termos feito os cavaletes; de termos carregado, furado e serrado tantas madeiras; de termos escavado o chão; de termos conseguido a autorização da prefeitura pra instalarmos nossa base; de termos dado um aspecto decente ao que foi um canto de praia abandonado; só isso é por si só grandioso e mostra a força que podemos ter quando trabalhamos juntos numa mesma direção.

Com tantas pessoas ajudando, não tardamos a finalizar as tarefas do dia, e, a partir de então, foram as cervejas que passaram de mão em mão. Abriu-se a roda e a conversa rolou frouxa até que cada um foi recolher suas tralhas para ir embora, já com saudades de amanhã.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Origami Ecológico

Clique e aprenda a fazer com jornais velhos sacos de lixo iguais a esse da foto.
Muito criativo!

Brasil se classifica para duas Finais B no Mundial de Canoagem Velocidade

Wladimir Moreno no C1 1000m e a dupla Erlon Souza e Ronilson Oliveira no C2 1000m garantem vaga para as Finais B que acontecem neste sábado

Os melhores canoístas do planeta estão reunidos até este próximo domingo em Poznan, na Polônia, para a disputa do Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade 2010. Dos últimos anos para cá o Brasil vem em uma melhora significativa em seus resultados e segue fazendo história na competição. A última conquista foi a classificação do C1 1000m e do C2 1000m, ambos no masculino, para as Finais B do evento, fatos inéditos na canoagem brasileira até hoje.
“Pela primeira vez um canoísta brasileiro vai à uma Final B na distância de mil metros em um barco individual. Conquista inédita para o esporte brasileiro com o atleta Wladimir Moreno”, comemorou Pedro Sena, técnico de canoa da Confederação Brasileira de Canoagem.
Outro resultado inédito também foi a conquista da vaga para a Final B no C2 1000m com a dupla Erlon Souza e Ronilson Oliveira. Os dois talentos vêm quebrando tabus e escrevendo seus nomes na história da canoagem brasileira. Em quatro eventos que participaram conseguiram resultados surpreendentes. Ao total foram três medalhas de ouro nos Jogos Sul-americanos, na Colômbia, uma medalha de bronze na Copa do Mundo de Canoagem Velocidade, na Alemanha, e agora mais esse resultado na Polônia.
Na semifinal 1 do C1 1000m Masculino o atleta brasileiro Wladimir Moreno chegou na sexta posição com o tempo de 4:13.313 e garantiu presença na Final B, marcada para acontecer na manhã deste sábado. Já na semifinal 2 do C2 1000m Masculino a dupla formada por Erlon Souza e Ronilson Oliveira também garantiu presença na Final B da categoria ao chegar em sexto lugar da semifinal com o tempo de 3:45.473, com a final também marcada para a manhã de sábado.
Na disputas de Paracanoagem o atleta brasileiro José Fernando Oliveira conquistou o terceiro lugar no V1 LTA em sua bateria, contudo, o resultado oficial não foi divulgado pelo cancelamento da segunda bateria devido ao forte temporal que atingiu Poznan antes da prova, colocando em risco a segurança dos atletas.
Amanhã os canoístas brasileiros entrarão novamente na água para as provas de 500 metros, distância onde o Brasil tradicionalmente conquista bons resultados.
Para o presidente da Confederação Brasileira de Canoagem, João Tomasini Schwertner, a crescente conquista de resultados da canoagem brasileira se deve ao trabalho de reestruturação que a modalidade está realizando. “Estamos tomando uma série de iniciativas em prol do desenvolvimento da Canoagem Velocidade, e também da Canoagem Slalom, pois um dos nossos principais objetivos é a conquista de uma medalha olímpica no Rio 2016”, ressaltou.
Os atletas que representam o Brasil no evento são: Nivalter Santos, Wladimir Moreno, Erlon Souza e Ronilson Oliveira na canoa masculina; Ricardo Barreto e Givago Bittencourt no caiaque masculino; Valdenice Nascimento, Luciana Costa e Camila Lima na canoa feminina; e José Agmarino Coelho, o ex-BBB Fernando Fernandes, Marta Santos e José Fernando Oliveira na paracanoagem.
Além dos atletas a delegação brasileira também é composta dos técnicos Pedro Sena e Álvaro Koslowsky (chefe de equipe), médico Henrique Calheiros, fisioterapeuta Pedro Lotti e do presidente da entidade João Tomasini Schwertner.
A delegação brasileira realizou treinamento na Europa e participa do Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade 2010 com recursos oriundos do Comitê Olímpico Brasileiro por meio da Lei Agnelo/Piva, e também conta com apoio e patrocínio da portuguesa NELO e da polonesa PLASTEX, empresas líderes no mundo na produção de caiaques e canoas.

Para conferir os resultados clique no link abaixo:



De: Comunicação Canoagem imprensa@cbca.org.br

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Nós e Laçadas

A vida deu um nó esse mês. Um nó cego amarrando o caiaque em terra firme.  Saber dar alguns tipos de nós é fundamental. Melhor quando o nó pode ser desfeito com facilidade.

Acho que todo canoísta deve saber, seja para fixar uma âncora, fazer um reboque, prender o remo ou amarrar o caiaque a um cais ou bóia.
Um bom nó deve ser simples e rápido de fazer; apertar a medida que aumenta o esforço sobre ele e ser fácil de desatar.
É muito difícil descrever com palavras como fazer um nó, então, o negócio é observar as ilustrações abaixo e treinar até poder fazê-los de olhos fechados.

Volta de fiel: Usada para prender o chicote no mastro ou na verga.


Volta da ribeira: Em geral é usada para amarrar objetos leves para içar.

Nó direito: Usado para unir cabos da mesma espessura.

Nó de escota ou nó torto: Serve pra juntar dois cabos de calibres diferentes.

Nó de fateixa: Usado para amarrar um cabo a uma âncora ou alça de uma bóia.

Lais de guia: Muito utilizado para prender pequenas embarcações ao anel de uma bóia.

Nó de correr: Nó muito comum com diversas aplicações.

Fontes: Manual do Escoteiro Mirim e Navegar é Fácil.
Para ver como fazer estes e outros nós veja

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Lançamento Opium: Caiaque Oceânico Atlantic

Taí uma excelente opção para quem precisa de uma boa relação entre estabilidade, conforto e velocidade. O tamanho reduzido desse caiaque facilita a portagem e o transporte no carro, sendo ideal para casais remadores. As tampas dos compartimentos de bagagem embutidas garantem uma melhor estanqueidade, mantendo secas as tralhas de viagem.

Medir distâncias na carta náutica usando a escala de redução

Tudo bem. Hoje tem Google Earth, GPS e o escambau, mas na falta desses recursos tecnológicos, a escala de redução, indicada junto ao título no canto superior esquerdo das cartas náuticas, pode ser usada para medir a distância de uma travessia.


Na carta 1501 (Baía de Guanabara) a escala natural utilizada foi de 1 para 50.000 (1:50 000), ou seja: cada centímetro na carta equivale a 50.000 centímetros no terreno, ou 500 metros (é só cortar os dois zeros da direita pra ter a medida em metros). Mas atenção! Esta equivalência só existe com exatidão na latitude 22° 52', 8 (foto). Em latitudes acima ou abaixo desta não vai bater certinho devido a uma deformação (latitudes crescidas) produzida quando se faz uma carta na Projeção de Mercator. Mas isso é assunto para outra postagem. Vamos ao que interessa.

Uma régua colocada entre a Praia Vermelha e a prainha de Piratininga marca 12,5 cm, então a distância real aproximada da travessia é de 6,2 km. Como ninguém rema numa perfeita linha reta mesmo, dá pra arrendodar pra uns 6,5 km de remada.


Esse método é prático e atende bem a necessidade de medir aproximadamente pequenas distâncias. Mas se a ideia for fazer longas expedições, o certo mesmo é usar a escala de latitudes, porque considera o arqueamento da superfície da Terra, acompanhando a deformação das latitudes crescidas, e dá a medida em milhas náuticas. 


sábado, 14 de agosto de 2010

Da Ilha das Folhas até a Urca

Os menos de 500 metros que separam a Ilha das Folhas de Paquetá foram cobertos num piscar de olhos. As condições meteorológicas pareciam ideais: dia ensolarado, céu azul claro e nada de vento.
Desembarque rápido na praia na face sul do Morro da Cruz e logo estávamos no Parque Darke de Matos para deixar nosso lixo numa caçamba. Aproveitamos para dar uma volta e conhecer o lugar.
O parque é lindo e bem cuidado, pelo menos foi a impressão que tivemos ao caminhar por suas veredas. Passando pelo túnel que atravessa o Morro da Cruz chega-se a um belo jardim com muitas árvores de sombra convidando para um descanço sobre  grama. Mas ainda faltavam 20km para chegar ao Rio. Não tardamos por alí.


Com proas apontadas para a Ilha da Casa de Pedras, distante pouco mais de 3km, no arquipélago das Jurubaíbas, demos as primeiras remadas às 8:55. O percurso contornou a casa da pedra e nos levou até uma praia na Ilha do Ferro, onde descemos às 9:25. Tudo anotado no trip planner que a Flávia me deu de presente.



Pregada numa amendoeira uma placa pedia cuidado com a baía. Confortador saber que tem mais gente preocupada com a preservação das nossas beiradas. Saímos andando pela muralha que cerca a ilha e depois entramos no mato até onde estão dois cilindros metálicos enferrujados.



Perto deles ainda restam as ruínas de duas casas e um pouco mais distante, a oeste, tem uma praia de cascalhos que dá vista para a Ilha do Governador. A leste, um cais de concreto ainda está de pé.  


Olhei em volta procurando a Ilha Comprida. Estava confuso porque não conseguia vê-la, mas de repente me dei conta que ela estava bem na minha frente, completamente descaracterizada pela presença de imensos cilindros e balões. Por isso não reconheci: há dois anos era só uma ilha abandonada, hoje está tomada pelo canteiro de obras do Terminal Aquaviário da Ilha Comprida que a Petrobrás está construindo para aumentar a oferta de gás natural . É nisso que dá termos tanta necessidade de combustível. Um lugar que poderia servir para o lazer do povo flutuante está se transformando num imenso depósito de GLP onde a entrada e permanência é proibida.
A primeira foto é de 2008.

Voltamos pra água para ver de perto o estrago. Eram 9:50. Além dos reservatórios fizeram uma ponte ligando a Ilha Comprida ao terminal da Ilha Redonda, um prédio e uma torre ainda cercada de andaimes. Um guindaste esperava a segunda-feira pra continuar seu trabalho.

Confesso que fiquei chocado com o que vi. Não sou contra o progresso, mas ver aquela ilha tomada por instalações petrolíferas me causou certo mal-estar. Não adianta chorar, tudo tem um preço.


Saimos logo dalí para mais uma braçada de 8km até a ponte. Passamos novamente pela área de fundeio dos navios e paramos no vão central às 10:45 para esperar a galera que ia participar de uma barqueata em defesa da Baía de Guanabara. Se vissem o que vimos lá atrás ficariam horrorizados.


Um telefonema para a Flávia nos colocou a par que a intenção dos manifestantes não era passar pela ponte, mas sim seguir da Ilha de Vilegagnon direto para Charitas. Partimos para a Escola Naval depois de comer o resto das mariolas, jujubas e biscoitos do farnel.


Às 12:00 encontramos Flávia, Haroldo, Tarcísio e Marcão ao lado da EN. Esperamos passar a barqueata e continuamos na direção da Praia da Urca. Infelizmente não encontramos a galera do CRG que havia nos chamado para participar do evento.
Daí pra frente navegamos em mar conhecido, mas era preciso andar rápido pra não deixar os ventos fortes anunciados nos pegarem no meio do caminho.



Desembarcamos na PU às 12:40, tiramos umas fotos e iniciamos a faina habitual. Quando os caiaques descansavam no cavalete, pegamos umas cervejas e ficamos conversando, lembrando os acontecimentos até que fomos embora pra casa, contentes com o êxito da excursão, com a estréia do Caranguejo e com as descobertas realizadas nos confins da Baía de Guanabara.

De dentro do carro ainda deu pra ver as árvores balançando com o vento forte que entrou firme.