Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Remadão da Urca até Ilha Grande

Por Luiza Perin

Amigos!!!

Como é bom ter sonhos de vida simples!!! Esse final de semana realizei um de meus maiores sonhos!!! Fui remando do Rio à Ilha Grande!!! Remando!!!

E esse é um sonho verdadeiro que cultivo há anos, e que nunca achei que fosse estar perto o bastante para acontecer tão de repente!!! Fomos em uma canoa havaiana composta por uma guerreira equipe de quatro homens e duas mulheres. Vencemos o sono, a fadiga, a dor, o vento terral forte nos tirando da rota, ondas grandes, tubarões-tintureiro rondando a canoa, um mar sem fim com 135kms entre a partida e a chegada e 17 horas de trabalho muscular ininterrupto que nos levou da Praia da Urca diretamente à Praia de Abraão.

Saímos da Praia da Urca à 24hs30min desta sexta-feira e chegamos na Praia do Abraão às 17hs30min de sábado com os rostos brancos de sal ressecado na pele, dores musculares profundas, fome e enjôo, mas extremamente felizes e emocionados. Em todo esse tempo, paradas rápidas a cada duas horas de 5 a 10 minutos para comer, além de uma hora desembarcados em Barra de Guaratiba para um café da manhã.

Foi uma das maiores superações pelas quais já passei, redescobrindo novos limites do corpo, da força da mente e das imposições da Natureza. De presente, no meio da madrugada e no breu flutuante marinho em que nos encontrávamos, a maior estrela cadente que já vi na vida riscava o céu negro como um rabisco de giz deitado.

Pisando as areias macias da Praia de Abraão no fim do dia, de mãos dadas com meus amigos Dave Mcnigth, Douglas Moura, Lucas Fleuri, Jorge Freitas e Silvia Hargreaves e ao lado da guerreira canoa havaiana Ruahatu, percebi que fui forte o bastante para conquistar esse meu sonho e muito corajosa para encarar com esta equipe a façanha pioneira desta travessia sem barco de apoio, sem troca de remadores, sem parada para dormir e em uma temporada de outono com previsões de vento e ondas com poucas tréguas.

Estou muito feliz por descobrir essa força toda dentro dos meus 52 quilos de suposta fragilidade.

Só posso concluir que, quem passa por isso, supera qualquer dificuldade que a vida venha nos impôr.

Luiza Perin.

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