Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

quinta-feira, 17 de junho de 2010



Pensei que o dia hoje fosse ser diferente, pois a Letícia disse que iria sair de oc1 e, finalmente, eu teria uma companhia pra remar pelas beiradas. Mas na hora combinada ela não apareceu. Foi dar uma volta de bike, visitar o Drummond. Só agora vi a mensagem que ela deixou no celular dizendo que descansaria os braços.

Há meses saio sozinho da PV seguindo de longe as velozes canoas de 6 e também as individuais.Tudo bem que o visual conforta os olhos e pode até render assunto, mas as vezes canso de mim mesmo.


O céu estava claro como esteve durante toda a semana. O frio era menor. O mar mais calmo. Saí em direção ao posto 6 tendo apenas meus pensamentos comigo. Não reclamo. As criaturas que surgem durante o transe canoístico são minhas íntimas, não há o que temer. O silêncio e a solidão são fundamentais para nossa eterna reconstrução.


Não teve susto nem tensão na passagem pela ponta do Leme. O vento era o mesmo de sempre: Nordeste. Até o posto 6 o caiaque deslizou quase sem ajuda do remador, mas na volta fui obrigado a apontar na direção do vento pra não sacrificar demais o braço direito.


O esforço e o tempo pra fazer o trajeto de volta não incomodam. Estamos aí pra remar mesmo. O bom disso é que prolongamos um pouco esse sublime momento de paz antes de encontrar a cidade desperta com seus barulhos e agitações. Tive mais alguns minutos pra vasculhar dentro de mim, para sair lentamente do torpor que muitas vezes me impede de ver melhor o que está acontecendo por dentro e por fora.

Não vi sujeira no mar e a água estava verdinha, clara e transparente.


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