Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Águas coloridas e encontros inesperados


Adivinhem quem encontrei na Cotunduba na sexta-feira passada?
Passei na PV para levar o caiaque até PU por causa do curso com o Fuchs no sábado. Não queria fazer isso no dia pra não ter que chegar muito cedo.


Manhã clara, sol quase escaldante, céu azul, mar flat, ventinho a toa. Chegando na praia, logo dei falta do cabo horn duplo e do anaico que ficam parados alí sem sair muito pro banho. Quem será que está no mar? Pedro, Eduardo...? Se são eles, devem estar na Cotunduba. Então toca pra Cotunduba.


A água marrom no canal não dava nenhuma dica do que seria na ilha. Antes de passar pelas pedras que protegem a enseada fiquei adimirando a transparência da água. Como é que pode? Águas próximas mas com colorações tão diferentes... Com certeza as águas vindas da baia com a vazante passavam direto sem entrar na enseada da Cotunduba.


De longe avistei umas figuras escalando as pedras. Um deles era realmente o Edu Pastusiak. Uma pequena remada hesitante e opa! Meti o caiaque de bico na pedra. Bateu fraquinho, nem quebrou. Então passei pelas pedras, desci, coloquei o caiaque na laje que a maré baixa deixava exposta aquela hora e fui de encontro ao grupo. Estavam lá, além do Eduardo, o Leandro Iron Man e o Marcelo.


Que maneiro! Não via esses caras há um tempão. O Marcelo eu não conhecia. O Eduardo é um velho companheiro de remadas; fundamos juntos o Clube Carioca de Canoagem. O Iron também é das antigas. Os dois estavam na primeira travessia para as Ilhas Maricás em 2005. Também estavam numa tentativa de chegar à Ilha Grande que ficou duas noites parada na Ilha do Tatu em Sepetiba por causa do mau tempo e que terminou quase em catastrofe na praia de Guaratiba. Enfim, lembranças lembradas num dia de sol na Cotunduba de águas trasparentes. Coisa de louco. Um daqueles momentos nostálgicos em um aquário natural.



Dalí segui para a PU. Sentia o vento batendo sem muita convicção na minha escápula direita. Passei pela ponta do Pão de Açúcar, depois pelo Cara de Cão. Estavam sossegados franqueando uma remada sem sustos e solavancos. Apesar de passar com frequência por essas bandas, é sempre uma grande alegria observar o Forte São José e o Forte da Laje guardando a entrada da baía.



Em compensação, na virada do Cara de Cão o ar foi tomado por um cheiro de carniça insuportável. Devia ter um bicho morto por perto, mas não fiquei muito tempo pra saber de onde vinha, não. Em seguida o cheiro de carne podre foi substituido por cheiro de óleo. Impressionante! Quando não tem lixo, tem cheiro ruim.  No caminho avistei um navio passando pelo canal e um barco de pesca fundeado.



Já dentro da enseada de Botafogo bateu um terral bem forte prejudicando um pouco o seguimento, mas nada que impedisse o avanço do caiaque. Sei que desembarquei nas areias da PU contente pelo encontro com velhos amigos e, apesar dos odores, contente também com a relativa limpeza das águas na enseada, pois teríamos um ambiente mais saudável para treinar as manobras que nos seriam mostradas pelo Fuchs. Depois conto como foi.


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