Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Seu Jorge disse que o caiaque estava pronto, que podia buscar no CRG. O amazônia foi parar no estaleiro depois de atropelado por uma oc6 semanas atrás. Estava consertado.
Saí de casa com o dia claro e pedalei até o CRG sentindo o calor da manhã. Encontrei o caiaque apoiado num cavalete esperando pra voltar ao mar. Seu Jorge fez um bom trabalho. Além de consertar a rachadura no convés e a trinca no costado perto da proa, ainda achou uma outra trinca, também no costado, a meia nau.


Desci a rampa lodosa tomando cuidado pra não escorregar. Tudo estava quieto. Não havia vento e o mar estava liso, liso. No céu as nuvens filtravam o sol quente apesar do inverno.
Aproveitei que tinha tempo e fui costeando as beiradas. Passei na PU, depois na Praia de Dentro. Parei para observar o sol descortinando o cais e a balautrada branca da praia. Uma pena que seja restrita a entrada. Perdem os amantes das beiradas por não poderem desembarcar a qualquer hora. Ao menos é possível agendar uma visita pra conhecer o local onde a cidade nasceu.



Segui para o Cara de Cão quase sem ondas pra lamber as algas verdes vistosas. Nunca deixo de parar para admirar a bela muralha do Forte São José, testemunha da passagem de tantos navegantes ao longo dos séculos, terceiro forte mais antigo do Brasil. Passei ao largo da Praia de Fora e continuei até o costão do Pão de Açúcar. Alí o mar estava mais mexido, mas pouca coisa. Um pescador solitário sobre as rochas  acenou com movimentos lentos da mão.



Contornei o costão remando em silêncio, deslizando sobre a água verde e clara, quase transparente. Durante todo  o trajeto não divisei lixo flutuando. Sorte nossa.
Segui em frente até o caiaque roçar nas areias da PV. Retirei as tampas dos compartimentos de carga e observei que não havia água acumulada. Que bom! Domingo vamos fazer uma visita às fortalezas de Niteroi e eu irei remando sem medo meu velho parceiro das trilhas do mar.

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