Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

sábado, 24 de julho de 2010

Riscos da Canoagem Oceânica

Outro dia uma pessoa me perguntou quais são os riscos de sair por aí remando um caiaque no mar. É engraçado, na hora tive que pensar um pouco pois com o tempo a gente esquece dos perigos que envolvem a prática da canoagem oceânica. Mas fui me lembrando dos meus medos de quando estava começando e as respostas apareceram.

O primeiro risco que me ocorreu foi o do caiaque capotar. No início é até normal e, em geral, as consequências não são graves. A gente pode levar um susto e ter o trabalho de tirar a água do caiaque e voltar pra dentro dele. No entanto pode acontecer do canoista tomar um bom caldo ou até mesmo se afogar e desmaiar, o que pode levar à morte caso não seja socorrido a tempo.

Outra coisa que pensei é que no momento da capotagem o canoista pode bater numa pedra escondida ou num objeto flutuante e se ferir. Se a pancada for na cabeça ainda tem o perigo de perder a consciência e se afogar.

As causas de uma capotagem podem ser muito variadas. O canoista pode ser derrubado por uma onda na faixa de arrebentação, correndo o risco de se embolar com o caiaque, tomar umas pancadas e, caso existam banhistas por perto, ainda causar danos a terceiros.

Uma capotagem também pode acontecer por causa de uma onda de retorno próxima à costeira, de um vento ou corrente de maré muito forte, por excesso de água no interior do barco, por sustos provocados por animais e embarcações e pela própria falta de equilíbrio do canoista, principalmente quando o caiaque é muito estreito.

Nem é preciso dizer que pra evitar, ou pelo menos minimizar, esses riscos é preciso praticar bastante não só para não capotar, mas também para saber o que fazer caso aconteça. Também é importante ter muito cuidado na faixa de arrebentação, sobretudo numa praia cheia de banhistas. Outra coisa que acho fundamental é procurar estar sempre acompanhado para o caso de precisar de ajuda ou socorro e não deixar que um acidente bobo se transforme numa tragédia. 

Além da capotagem pensei no risco de uma colisão com outros barcos, rochas submersas e objetos flutuantes. Uma colisão pode acontecer se o canoista perder o controle do caiaque por causa de um vento repentino, ondas grandes e corrente muito forte. Baixa visibilidade provocada por neblina, distração do barqueiro ou do próprio canoista também são causas de acidentes desse tipo.

Uma colisão pode só virar o caiaque, mas também pode danificá-lo seriamente levando ao naufrágio. Há ainda o risco de o canoista se machucar e se afogar.

Para evitar uma colisão só há uma coisa a fazer: ficar atento, muito atento, principalmente se a visibilidade for baixa. Aliás, é recomendado que os caiaques tenham cores fortes que o destaquem da paisagem. Amarelo, laranja e vermelho são, na minha opinião, as melhores cores. O verde e o azul se confundem com o mar e com o céu, e o  branco, apesar de ser bem visível, pode ser confundido com as cristas espumosas das ondas.

Fora a capotagem e a colisão, existem outros perigos inerentes à atividade. Não é impossível que ocorra um ataque  de animais marinhos, nem que o canoista fique doente devido a exposição a microrganismos  e a produtos poluentes presentes na água do mar, principalmente pra quem rema na Baía de Guanabara ou nas lagoas litorâneas da cidade onde os índices de poluição são mais elevados.

No mais podem acontecer enjoo, hipotermia, insolação, desidratação, exaustão física e até uma falha do equipamento. É importante estar preparado e com o material em dia, e se assim mesmo acontecer algum imprevisto,  o remédio é ter alguém por perto pra dar uma força, aliás, tem coisa melhor do que remar cercado de amigos?

É isso aí. Sejamos prudentes.

4 comentários:

  1. Saiu uma matéria na Kayak Magazine sobre as cores que proporcionam mais visibilidade na água. Segue o link:

    https://www.rapidmedia.com/adventurekayak/categories/skills/5770-safety-can-you-see-me-now?utm_source=Rapid+Media+Newsletters&utm_campaign=2515e20842-PTW_Oct_8_201510_8_2015&utm_medium=email&utm_term=0_66b554bdc5-2515e20842-84783257

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    1. Obrigado, João. Recebo direto as publicações para filiados da ACA. Se lembro bem: amarelo, laranja e vermelho são as cores mais contrastantes. Esse post foi baseado no trabalho de um grupo, do qual fiz parte, que era destinado à associação das operadoras de turismo de aventura. Apesar de ser válido, se fosse escrever hoje sobre os riscos da canoagem, a abordagem seria diferente.

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  2. "...se fosse escrever hoje sobre os riscos da canoagem, a abordagem seria diferente...

    Agora me deixou curioso.

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  3. Nada de mais.
    É que convém explicar que os riscos são de diversas naturezas e que o resultado na segurança está mais no equilíbrio na gestão do conjunto.
    O ambiente oferece perigos naturais (ondas, frio...) e humanos (trafego de embarcações, poluição...). O tipo e o estado de conservação do equipamento seria outro fator de risco. Por último, o remador, certamente o mais importante elemento relacionado à segurança, seja por sua falta de preparo físico e técnico, seja pela incapacidade de fazer um bom julgamento de si e do que o cerca, ele é a causa fundamental das roubadas.
    Se o remador se prepara e tem juízo, se está acompanhado de outros remadores experientes, pode se expor a um ambiente mais ameaçador, mesmo se seu equipamento não estiver 100%.
    O lance é analisar os três fatores de risco e encontrar um equilíbrio entre eles. Tem um gráfico que permite visualizar bem isso.

    Obrigado pelos comentários, João.

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