Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

terça-feira, 19 de outubro de 2010

21ª Meia Maratona de Canoagem da Escola Naval

Já se vai mais de uma semana. Era domingo, 10 de outubro, dia de correr a Meia Maratona de Canoagem da Escola Naval.

O CCC participou com três caiaques duplos: um misto com Lariana e Tonho, um masculino senior com Bruno e Marquinhos e um masculino máster comigo e Volney.

Foi minha sexta regata da EN, a primeira sem o Candido como parceiro. Sempre gostamos de participar dessa prova. Além de manter em dia nossa coleção de camisetas, é uma oportunidade única no Rio de encontrar e conhecer canoistas de várias partes do Brasil. Foi numa dessas regatas que conheci o Evaldo Malato, canoista paraense que tem um projeto super legal com canoas tradicionais envolvendo populações ribeirinhas lá daquelas bandas.

As 3 caiarcas estavam prontas. Os amigos havaianos Lê, Carla, Deborah e outros já tinham partido ou estavam quase. Vamos nós!

Se por um lado a chuva não veio, por outro, o vento compareceu ao encontro. De longe dava pra ver o rebuliço que causava nas águas que cercam o Forte da Laje, onde passaríamos mais tarde beirando as pedras na tentativa de ganhar algumas posições.

Da PU até a EN fomos surfando as ondas que entravam na baía. O céu cinzento ia ganhando manchas azuis enquanto as águas cor de chumbo ostentavam seus tristes adereços flutuantes.

A prainha de Villegagnon ainda estava vazia quando chegamos, mas foi se enchendo de barcos rapidamente. Pegamos os numerais e, quando a aglomeração ficou demais, saimos pro mar para esperar o tiro de largada boiando. O mar já estava todo colorido de canoas e caiaques, cheio de canoistas conhecidos e desconhecidos, velhos e novos amigos.
O clima, como sempre, era de animada confraternização.

Saindo da prainha vimos uma canoa de 6 se aproximar por bombordo e tocamos pra frente pra nos safar. Nos safamos, mas a mesma sorte não teve um outro caiaque que vinha por boreste em sentido contrário e que ficou com uma canoa atravessada sobre o convés. Lembrei de quando fui vítima de um acidente parecido que causou um belo estrago no pequeno Jurupi lá na PV. Em situações como essa é preciso estar atento pois parar o seguimento de uma OC 6 não é coisa fácil, ou sai ou racha. 

A movimentação anunciava a disputa acirrada que se faria no mar agitado. Tudo indicava que teríamos uma prova digna desse nome.

BUM!!! Foi dada a largada. Mandamos o braço tomando cuidado pra não bater nos outros competidores, viramos a ponta da ilha e embicamos na direção da Santa Cruz. Na dianteira seguiam Bruno e Marquinhos a todo vapor. As ondas e o vento entravam pela boca da barra exigindo força e determinação. Volney dava os comandos:
- intercostais, intercostais! Ooop, ooop! Frequência, frequência!
Tudo ele falava duas vezes.
Contornamos a bóia e depois passamos pelo Forte da Laje beirando a margem, atentos às ondas grandes. A ousadia foi recompensada com algumas ultrapassagens. Perto da gente numa OC 2, também passando rente as pedras, estavam Déborah e o Hélio.
Viramos o Santinho e entramos na penúltima reta. Nessa altura já estava pedindo pra cair um raio na minha cabeça e acabar logo com aquele suplício, mas, de repente, um caiaque começou a ziguezaguear na nossa frente. Os caras tinham perdido o leme, nos dando uma chance de pegar a dianteira.
- Vai, vai! força, força! levanta o braço, levanta o braço!
Animados, Volney e seu eco me incentivavam. E eu pensando:
- Que braço, Capitão? Não tenho mais nenhum!
Já estava no automático, preocupado apenas em continuar respirando até poder chegar ao CTI.
Finalmente passamos pela EN. Mas ainda faltava contornar a bóia do Calabouço e passar sob a ponte. Estrebuchava quando cruzamos a linha de chegada. Aos poucos o coração ia recuperando seu ritmo normal.
Mais tarde fomos conferir os resultados na cerimônia de premiação. A canoa da Letícia pegou ouro na OC 6 feminina; Débora e Hélio pegaram ouro na OC 2 mista; Bruno e Marquinhos ficaram com bronze no K2 masculino senior; eu e Volney... Surpresa! Ficamos com Prata no K2 masculino máster! Valeu o esforço e os incentivos do Capitão Setezerozero.

Então voltamos pra PU remando de cara pro vento. Guardamos os caiaques, comemoramos bebendo várias cervejas bem geladas alí na base e lá pelas 16 horas tomamos o rumo de casa já pensando na regata do Rio Va'a que acontecerá em dezembro e que contará pela primeira vez com as classes de caiaques surfsky e oceânicos.

Fotos de Bruno Fitaroni e Marcos Klippel.

3 comentários:

  1. Comandante, fazia tempo não ria tanto em um blog!
    Ok, ok... confesso que era eu abalroando o caiaque ali na prainha de Vileganhão! Machucou muito? Pode dar o número da minha placa para o abalroado que faço questão de consertar minha barberagem!
    Outro ponto que temos em comum, além do amor pelo mar, foi o desejo de um raio nos atingir em cheio depois do Santinho. Estava esgoelando o pato ali também. E o pato era eu!
    Muito bom o relato, sou tua fã eterna!
    Beijão e que os raios nos partam na Rio Va_a!

    ResponderExcluir
  2. Tentei encobrir o fato. Não queria que meus outros dois leitores soubessem que era você que pilotava a canoa desgovernada. Não sei como ficou o canoista atropelado, só sei que ouvi uns estalos que, pela sonoridade, deviam ser provenientes das múltiplas fraturas em duas costelas, uma clavícula, uma escápula e três vértebras dorsais.
    Olha, obrigado pelo carinho.
    Pra Rio Va'a 2010 já estou providenciando um cilindro de oxigênio. Se corrermos na mesma raia, levarei também uma armadura de titânio e um capacete.

    ResponderExcluir
  3. :)
    Não precisa apelar... um colete e um capacete de skate já te protegem!
    Quanto ao caiaque, basta circundá-lo com macarrões de piscina! Têm uns amarelinhos...
    :)

    ResponderExcluir