Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

domingo, 2 de maio de 2010

Gragoatá

Domingo, dia 2 de Maio. As trilhas do mar me levaram pros lados de Gragoatá.

Já tinha passado por lá em 2008 quando voltava de Paquetá com o Pedro. Paramos para tirar água do Horn antes de atravessar a baía no meio de um sodoeste e no estresse do momento não deu pra ver nada, só tirei uma fotinho meio tremida de cagaço. Lembro que tive uma estranha sensação de estar deixando algo por ali junto com a água tirada do caiaque, algo a ser recuperado mais tarde.

Já é tarde. Talvez não encontre ninguém para remar. Mas tudo bem, minha vontade hoje é de remar sozinho mesmo. Preciso ficar um pouco com meus pensamentos. Estando só, preciso ser prudente e o Forte de Gragoatá me parece um bom destino, pois é abrigado na Baía e tem uma praia para desembarque. Além disso os 15 km do percurso, ida e volta, mantêm intacto o atrativo "esportivo" da remada.

Na PV encontrei a Lê voltando com sua canoa, e a dupla vencedora da Regata Ratier na oc2, Carlos Machado e Jorge. Mar calmo, ventinho a toa, visibilidade baixa. Uma névoa densa não deixava ver Boa Viagem e da Fotaleza de Santa Cruz só via o vulto.

Remei sem pensar em nada até passar pelo Laje, onde parei pra ver se encontrava a dupla Faísca e Fumaça de bobeira por alí. Nenhum sinal. Segui em frente remando num mar de azeite e atravessei o canal rapidinho, meio na direção de Charitas porque não se via muita coisa e o tráfego de navios estava intenso.

Já chegando em Gragoatá, o sol dspontava atrás do forte. O lixo brotava na superficie.

Ó! onipresente lixo! Vós que sois flutuante; que nos cerca e nos envolve..., que estás nas praias, misturado aos minúsculos grãos de areia; que estás nas ruas e em nossas casas... Eu estou no meio de vós!

Desembarquei pra beber uma cervejinha e explorar o local. Fui informado pelo guarda que o Forte de Gragoatá abriga uma repartição da burocracia do Exército e que não está aberto à visitação. No entanto a informação não procede. É possível visitar o forte desde que a visita seja agendada junto ao Serviço de Comunicação Social do Forte, à Praia de Gragoatá 145. Lá dentro podemos ver algumas antigas peças de artilharia, a galeria subterrânea dos paióis e a bateria elevada.

Dei meia volta do portão mesmo. Só deu pra ver a placa de mármore onde está escrito em latim: "Sendo Pedro II Imperador Constitucional do Brasil, foi acabada esta fortificação, no quadragésimo ano da independência da pátria - 1863".


Ali ao lado no campo de futebol rolava um "clássico" local: Milan e Real Madri. 1 a 1 na hora que eu falava com o bandeirinha. As barracas de peixe frito, batata frita e cachorro quente ainda não estavam abertas, mas vale a dica gastronômica. Num cais no final da praia um casal pescava, enquanto do outro lado um cidadão abnegado varria um pouco o lixo da areia.


Hora de partir. Contornei o promontório onde o forte fica cercado de um areal e segui pra Boa Viagem para um desembarque rápido numa prainha na face oeste da ilha pra apreciar mais um pouco a paisagem, agora livre do nevoeiro.

Também minha cabeça desanuviou. Percebo então súbitamente que depois de horas remando não há nada, apenas eu e meu caiaque no meio desse marzão. Apontei a proa para Gragoatá, atingi meu próprio inconsciente.

Um ventinho entrando pela boca da barra arrepiava ligeiramente o mar que no costão do Pão de Açúcar tava cheio de lixo. Dentro da enseada da PV, mais pra beira, a água tava verdinha e clarinha, convidando prum banho.

Tibum!!! Alma lavada!

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