Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Nerites, Itapuca e Guardiã: os Irmãos

Por Luiza Perin
Enquanto isso, em um singelo cavalete na Praia de Charitas, olhando para o mar, duas irmãs conversam:
- "Itapuca, você está com uma proa reflexiva olhando o mar hoje..."
- "Estou pensando no lado de lá..."
- "Lado de lá? O que significa 'lado de lá', Itapuca? Alôôô-oou... lembre que você precisa ensinar as coisas para sua irmã mais nova!"
- (risos) "Eu sei, Guardiã, eu sei... Fique tranquila que eu explico. No lado de lá, na outra margem dessa baía, tem um cavalete cheio de embarcações de verdadeiros amigos. E eu sinto falta deles. Por isso estou com esse olhar distante e essa proa pensativa..."
- "Ah!!! Eu os conheço! Eu os conheço, Itapuca!!! Sei do que voc~e está falando! Estive com muitos deles em um encontro no Forte Lage! Fiquei amarradinha no meio de toooodos eles enquanto os humanos faziam o piquenique desembarcados. Conversamos muuuito! Só tinha EU de azul, nesse dia. Todas as outras embarcações eram amarelas, brancas, laranja... fiquei LINDA no meio deles! Você tinha que ver a cara de alegria da Luiza!"
- "Hum... imagino... A Luiza só quer saber 'da caçulinha azul' agora... nunca mais me pegou pra dar uma voltinha... (ciúmes de irmã mais velha) Tenho ouvido muitas histórias de um tal de Ulmo, Guardiã. Gostaria muito de conhecê-lo. Parece que ele é um caiaque muito amigo da Elisa; tenho escutado a Luiza fazer uns comentários bacanas sobre as embarcações do lado de lá..."
- "Elisa? Quem é Elisa?"
- "Elisa é um caiaque que eu a-do-ro! Fomos batizadas juntas num rio desembocando em uma praia maravilhosa e deserta em Paraty. Junto com a Janaína e a Nani Pua".
- "Poxa, que legal... você já viveu tanta coisa, né, Itapuca?"
- "Sim... mas já vivi a dor da perda, também... quando Luiza vendeu nosso irmão mais velho, que vc não conheceu. Nerites é o caiaque mais imponente que já vi... Poderoso, forte, valente... um verdadeiro guerreiro do mar! Saudade apertada daquele amarelo danado de lindo!"
- "Jura?! Mas o que aconteceu com ele?"
- "A nossa humana é muito magrinha, Guardiã... a Luiza ficava tão pequenininha dentro do Nerites, hahaha! Era uma gracinha vê-la tentando carregá-lo para o mar! Neste aspecto, devo reconhecer, irmãzinha, que seus 15 quilinhos azuis são realmente perfeitos para os 50 quilinhos da nossa dona..."
- "Itapuca, vou combinar telepaticamente com nossa prima Kaila, que é super minha amiguinha e mora nesse cavalete onde estão seus maiores amigos e nosso irmão mais velho, um encontro marítimo, tá? Vai rolar fácil-fácil porque Luiza ama a Deborah, a humana da Kaila. Quem sabe assim você não conhece esse tal de Ulmo..."

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