Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

sábado, 15 de janeiro de 2011

Circunavegação da Ilha Grande 2011: A partida

A chuva não parava de cair e a previsão do tempo dizia que ia continuar assim por mais uns três dias. Fora que o mar estava grande, com ondas de 1,5 m vindas de Leste, e o vento, segundo a meteorologia, ia soprar com força, até 20 nós. 
Era madrugada de segunda, dia 3. Na rua, debaixo de chuva, esperava a Teté passar pra ir buscar o caiaque na PU. Estava cansado e com sono. Todo ano é a mesma coisa: ninguém consegue dormir, seja pelo pouco tempo disponível, seja pela ansiedade incontrolável.
- Você veio mesmo, Teté! Não desistiu!
- Nem passou pela minha cabeça essa ideia!
- Pois eu bem que queria ter ficado na cama... Ano passado prometi que não vinha mais, agora vai ficar pro ano que vem. Então tá: ano que vem não vou!
Digo isso todo ano, e já é a sexta vez que faço essa loucura.
O caveirão rodou sobre o asfalto molhado até parar em frente ao Belmonte. Bruno, Marquinhos, Tonho, Lariana, Gustavo e Renata já colocavam os barcos no reck. Pedro também já nos aguardava. Ainda bem que adiantamos um pouco na véspera colocando a canoa e as bagagens no carro. Só faltava o caiacão.
Tudo pronto, tudo amarrado, fomos pro posto de gasolina na saída da Urca onde combinamos de reunir todo mundo pra sair em comboio.
Chega um, chega outro, esquece isso, lembra daquilo, sai um, depois volta, troca caiaque de lugar, amarra de novo... Volney, Edu Feijó, Edu Pastusiak, Déborah, Bruna e Suzana já estavam lá, e depois de sei lá quanto tempo, finalmente estávamos prontos pra fazer a foto com todo mundo junto.

O comboio não durou nem 10 minutos. Ainda no aterro de Botafogo fomos ultrapassados pelos apressadinhos que iam tirar o pai da forca e a mãe da zona. Só voltamos a nos reunir no posto da Rio-Santos em frente à entrada de Conceição de Jacareí. Parada providencial para um café.

E toma chuva! Barcos e bagagens na areia numa grande confusão. Bela confusão de cores em fundo cinza!

E alguém pergunta:
- Vamos mesmo? O tempo não está muito ruim?
- Só vai dar pra saber quando estivermos no mar. O plano é passar pela Ponta Grossa, parar na Praia dos Castelhanos e depois seguir para Dois Rios. Se lá fora tiver ruim mesmo, o plano B é entrar na enseada das Palmas e pernoitar na Praia Grande. Se der pra chegar na Praia dos Castelhanos, mas não der pra contornar a ponta, dormimos em Castelhanos, como fizemos em 2009.
Carros no estacionamento, barcos na areia, bagagens acomodadas... Pííííí!!!! Apiiiiita o comandante dando início a peleeeeeja!!!
Barcos na água, tripulações à bordo, remos empunhados com firmeza e vamos nós!!!

Logo após contornar a Ilha da Sororoca, avistamos a Ponta Grossa. Até lá teríamos que vencer os obstáculos anunciados pela meteorologia e que se confirmavam com indesejada precisão.
Em sua casa em Muriqui, Gustavo, olhando o céu, apreciando as vagas num mar salpicado, se perguntava se faríamos assim mesmo a travessia. Em um e-mail do dia 11 de janeiro ele diz: "Estava em Muriqui, chovia e ventava muito, achei que vocês fossem adiar a viagem [...]"
Não havia a possibilidade de adiamento. Não é fácil bloquear uma semana de trabalho. "Perfeito é agora" dizia o Velho Sábio Chinês.

As fotos, tiradas mais nos intervalos das rajadas, podem não ilustrar, mas o mar estava mesmo agitado, e os barcos carregados... Será que não estaríamos cometendo uma imprudência?
É o que veremos.

 

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