Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Movido a glicose



Quando penso que a taxa de ocupação média de um carro não chega à 1,5 pessoas, que a velocidade média numa cidade como o Rio é de menos de 50 km/h, que a média de deslocamento na cidade é inferior à 6 km e que o rendimento de um carro não passa de 5% (já considerando que o peso do carro é de 10 à 20 vezes maior que o do ocupante que é quem precisa de fato se deslocar), minha bicicleta ganha ares de rainha.
Além de não poluir o ambiente, proporciona uma grande economia, não só por não precisar de gasolina, mas também porque me dispensa de pagar uma academia só pra pedalar uma ergométrica. De quebra, melhora minha saúde. Com minha bike vou onde quero sentindo o vento no rosto, integrado a paisagem.
Hoje, como de costume, saí da minha casa em Laranjeiras e pedalei até a Praia Vermelha. Na praia peguei meu caiaque e fui até o Arpoador conversando com minha querida amiga Letícia. Depois fiz o caminho inverso, completando um trajeto de pouco mais de 20 km.
Quem é obrigado a usar um carro todo dia não é tão livre como parece, nem anda tão rápido como gostaria. Fica confinado numa linda caixa de aço motorizada, bloqueado nos engarrafamentos que atualmente não se limitam somente à hora do rush. Que liberdade é essa? Que velocidade é essa?
Uma vez um motorista me disse que não usava bicicleta como meio de transporte porque o trânsito é muito perigoso devido à falta de educação dos motoristas, que não respeitam nem indefesos pedestres. Ora, se essa pessoa estivesse numa bike, já seria um carro a menos na rua, uma ameaça a menos...
Repito o absurdo: uma pessoa em cada carro, andando á 40 km/h para fazer um trajeto de 6 km! E jogando dinheiro fora pelo escapamento, visto que para cada 100 litros de gasolina, somente 5 servem pra transportar a pessoa a bordo!
Escrevo inspirado numa mensagem do Gustavo Dias, enviada para o fórum do CCC. Na mensagem tem dois vídeos que transferi pra cá para os dois leitores do blog poderem ver também.
O primeiro é uma propaganda da Renaut, o segundo é uma crrítica ao primeiro.
Muito legal!
Obrigado, Gustavo!!!

http://www.youtube.com/watch?v=IkkLckLd6nE

Em tempo: Não sou contra carros, só acho que seu uso, na maior parte das vezes, não é racional. Na verdade, ter um carro tem mais a ver com autoafirmação do que propriamente com a necessidade de transporte. Quem, em sã consciência, faria uma dívida por 3 anos para andar menos de 12 km por dia a 40 por hora?

Vejam também:
http://www.youtube.com/watch?v=LZsao1l5hVk&NR=1
http://transportehumano.wordpress.com/2008/12/20/por-um-uso-mais-racional-do-carro/
http://portal1.antp.net/site/simob/Lists/csts_1003/rlt1.aspx
http://www.transporteativo.org.br/

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