Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

domingo, 9 de dezembro de 2012

Cartas Náuticas: Medir distâncias usando a escala de latitudes

Imagine um globo terrestre com uma lâmpada bem no centro. Em torno desse globo está enrolado um cilindro de papel em contato com o Equador. Quando acendemos a lâmpada, a imagem dos continentes aparece projetada no cilindro de papel. Isto é a Projeção de Mercator.
As cartas náuticas mais comuns no Brasil são feitas nesta projeção que tem como características manter a forma dos continentes, e, consequentemente, do contorno do litoral (conformidade), e representar meridianos e paralelos como linhas perpendiculares entre si, de maneira que uma reta qualquer ao cortar meridianos e paralelos determina com eles sempre o mesmo ângulo. Essas características são essenciais em navegação. 
Entretanto, a Projeção de Mercator, ao representar numa superfície plana o que estava numa superfície convexa, gera uma deformação das distâncias conforme se aproxima dos polos. É o que se chama "Latitudes Crescidas". Por isso, nos mapas, a Groenlândia parece ser tão grande quanto a Africa.


A escala de latitudes, situada nas laterais das cartas, acompanha essa deformação, sendo utilizada para medir distâncias. Cada minuto de latitude corresponde a uma milha náutica.
Vamos considerar com muito boa vontade a carta abaixo. Para medir a distância entre A e B, abra um compasso (ou estique um barbante) entre os dois pontos; depois transfira essa medida para a escala de latitudes no nível médio de onde se encontra a reta AB e anote a medida em minutos. No exemplo, a medida entre A e B deu 3' (3 minutos), ou seja, 3 milhas náuticas.
Um exemplo mais real:
Considere a carta N° 1634, "Da Ponta da Juatinga à Ilha das Couves".
Para saber a distância entre a Praia das Bicas (A) e a Ilha Comprida (B), trace um reta unindo os dois pontos e em seguida abra o compasso, uma ponta em cada ponto. 
Desloque o compasso para a escala de latitudes e leia o resultado. A abertura do compasso indica 2', logo a distância é de 2 milhas náuticas.

Simples assim.

Saiba mais

4 comentários:

  1. Por que não podemos medir nas escala de longitudes?

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  2. Oi Janio. Na projeção de Mercator, os meridianos aparecem como paralelos entre si, quando na realidade não são. Por esta razão, a escala de longitude não pode dar conta da relação de distâncias. Já os paralelos, não aparecem equidistantes dos seus vizinhos, de forma que a escala de latitudes acompanha a deformação na relação de distância entre pontos. Isso se dá porque na projeção de Mercator o que se deseja é conservar a conformidade, ou seja, manter a forma do terreno tal qual é no globo. Pra ser conforme a carta na projeção de Mercator abre mão da fidelidade com outras propriedades tal como equidistância e equivalência. Não sei se clareia.

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