Intermediários

Processos, ferramentas e ambientes para objetivos subjetivos

O que é invisível a nós? Que coisas escapam aos cinco sentidos, que estão presentes mas não podem ser definidas? Ou seria a pergunta, o que é o invisível?

Um objeto é comum. Porém quando é portador de um poder, o que passa a ser? Um talismã, uma arma, um instrumento? O poder transforma o objeto em um veículo, uma ferramenta que permite ao seu operador realizar o objetivo proposto. Igualmente, uma área quando designada e delimitada passa a ser o espaço que possibilita o acontecimento do objetivo proposto. E interessam também os espaços de fronteiras pouco definidas, como são os espaços emocionais e espirituais, da mesma forma os dos sonhos e os das fantasias. Espaços estes que são abstratos e impalpáveis, que se permeiam e se confundem entre si, onde entramos e de onde saímos constantemente sem nos dar conta.

Os objetos-espaços atuam entre o físico, o psicológico, o emocional e o invisível. São intermediários e como tal passam a depositários de possibilidades, poderes e anseios. Pontuam o silêncio. São ações poéticas que existem no vazio entre as continuidades.

Rodrigo Cardoso, 2006

terça-feira, 6 de julho de 2010

Nada como chegar mais tarde e aproveitar o calorzinho das 7.  O sol que já tinha pintado o céu de azul agora emprestava um pouco da sua energia para quem voltava e para quem partia.


Tirei o caiaque do cavalete, espanei a areia do abandono de mais de 15 dias e fui pro mar. Ainda na praia passei pela galera que subia uma canoa de 6. Gente com ar alegre, irradiando suave felicidade. Depois de uma rápida troca de palavras preguiçosas, lá estava eu boiando no mar verdinho.
Dentro da enseada sentia o vento vir de leste, mas logo na virada do Pão de Açúcar, onde o vento faz a curva, percebi que vinha de nordeste, como de costume.
Remei contra a corrente caminhante, que jogava para o marzão, até estar de frente à praia de Fora. Parei para observar. Faz um tempo que os dias estão transparentes, mesmo que uma névoa insista em ficar alí bem perto da superfície. Nada custa parar um pouco para apreciar a paisagem, ver a fortaleza de São João, o São José e o Forte da Laje com o Dedo de Deus ao fundo. 


O caiaque balançando cantava a canção do silêncio. As gaivotas cruzavam o céu a todo instante e uma tartaruga esperta fugiu medrosa nadando pro fundo.
No balanço suave das ondas quase dava pra sonhar com os olhos perdidos na paisagem. Mas logo a promessa do sonho se diluiu no espaço, e aquela preguiça morna foi indo embora. Meti o remo na água.
E o ritmo do remo foi trazendo uma sensação boa de paz e abandono.


No Cara de Cão, ondas mansas. Tudo parecia manso e irreal. Real mesmo era o sossego acompanhando a música do remo batendo na água, a sensação de conforto e bem-estar.



Remei até o CRG e deixei o Amazônia aos cuidados do seu Jorge.

Hora de partir pro trabalho. Como se consegue ir trabalhar com tanta beleza enchendo o peito? Consegue porque há a  lembrança de uma manhã encantada, como são todas as manhãs nas  trilhas do mar.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Como fazer um saco estanque de baixo custo - SEBC

Todo canoísta excursionista sabe como é importante proteger as bagagens do contato com a água. Os compartimentos de carga dos caiaques não oferecem estanqueidade absoluta, por isso é fundamental guardar todo material em sacos estanques.

Mas sacos estanques custam caro e para fazer uma excursão com pernoites em acampamento, dependendo da duração da viagem, podem ser necessários dois ou três sacos para colocar barraca, saco de dormir, roupas, mantimentos e tudo mais.

Quando fiz minha primeira travessia em 2001 não encontrei sacos estanques pra comprar no Rio. Tive que encomendar em SP, paguei uma fortuna e decidi que dalí pra frente fabricaria os meus.

Depois de alguns testes descobri uma "fórmula" para fabricar estanques usando banners velhos. Além de econimizar uma grana, ajuda a tirar um pouco de lixo de circulação e funcionam até melhor que os do mercado. Só uso os feitos em casa e com total satisfação.

* Já não se fazem mais banners como antigamente. Hoje, em 2016, as lonas vinílicas usadas em banners são quebradiças e se deterioram fácil e rapidamente. Atualmente uso material novo ou, quando encontro, restos de piscinas de vinil, por exemplo. Verifique a consistência da lona, prefira as mais macias e flexíveis.

Vou tentar explicar o processo passo-a-passo, assim todo mundo pode fazer.

Vamos à receita.

ingredientes:
  • pedaço de lona vinílica;
  • tubo de cola para PVC flexível;
  • fecho plástico de 2,5 cm de largura;
  • sarrafo de madeira;
  • fita crepe;
  • estilete;
  • tesoura;
  • régua;
  • caneta;
  • alcool;
  • pano.
Como fazer:
  • com uma caneta marque na face externa da lona uma linha a 2 cm da borda de um dos lados e depois faça o mesmo na face interna do lado oposto. Com a prática dá pra marcar só alguns pontos em vez de riscar uma linha contínua;

  • cole fita crepe ao longo das linhas traçadas tomando o cuidado de deixar os traços aparentes para que possam ser apagados depois;

  • apague os traços usando um pano embebido em álcool;

  • passe uma fina camada de cola nas duas partes a serem coladas e espere pelo menos 3 minutos.

  • antes de juntar os dois lados, proteja com papel a parte da lona que ficar por baixo para evitar que cole junto. Aproveite para tirar a fita crepe da parte interna, depois da colagem dá mais trabalho pra tirar.

  • depois de alguns minutos junte os lados, pressione com um sarrafo de madeira e retire a fita crepe.



  • se necessário, apare as extremidades;

Está feito um tubo com duas aberturas. 

  • numa das aberturas faça um traço na face interna da lona a 3 cm da borda e cole fita crepe;
  • apague as linhas feitas a caneta, coloque um objeto no interior do tubo para manter as superfícies a serem coladas afastadas uma da outra e, então, passe uma camada de cola;

  • descole a fita crepe, retire o objeto do interior do tubo, junte as bordas e faça pressão com o sarrafo durante alguns minutos;

Agora temos um saco com o fundo colado e uma boca.
Mas, atenção!!! Quando for colar o fundo pressione bem nos cantos e no meio, onde podem se formar "pontes" deixando passar água. Aperte bem esses pontos usando a borda da régua. Veja os desenhos:



  • agora, corte duas tiras de 6 cm de largura, passe cola na face interna, dobre no sentido do comprimento, cole e pressione com o sarrafo;


  • depois apare a tira para que fique com 2,4 cm de largura;

  • contornando o saco, risque uma  linha a 2,5 cm e outra a 5 cm da borda da boca;

* Já não faço mais assim. Agora coloco a tira junto à boca, então, só colo uma fita crepe a 2,5 da boca.
  • cole fita crepe ao longo das linhas como indicado na foto (faça todo o contorno) e depois apague os traços de caneta;

  • passe cola na faixa descoberta delimitada pela fita crepe;

  • passe cola nas tiras somente na área que será colada (repare que foi feita uma marcação na tira);

  • depois de pelo menos 3 minutos, cole as tiras, uma de cada lado;

  • vire o saco e passe as duas partes do fecho pelas tiras;

  • passe cola na faixa delimitada pela fita crepe, faça o mesmo nas tiras, espere 3 minutos e cole deixando uma alça de 3 cm de cada lado do saco;


* Nos sacos que fiz mais recentemente, não deixei 3 cm de alça para os fechos. Deixo apenas espaço suficiente para os fechos poderem pivotar.


retire as fitas e... pronto!!!





Qualquer dúvida, entre em contato:
trilhasdomar.contato@gmail.com

domingo, 4 de julho de 2010

Dia de remada tranquila com o Pedro pra lembrar dos velhos tempos quando a gente fazia nossos treinos perto da Cotunduba.

Às 9 da manhã o sol já esquentava as areias da PV. Alguns canoíatas se preparavam para zarpar para o posto 6 e outros habituês da praia também já estavam de plantão.



Imóvel e pensativo, Chopin olhava o mar. Esse ano é comemorado o bicentenário de seu nascimento e o Folle Journée (http://www.riofollejournee.com/) estará promovendo uma série de 14 concertos com o essencial da obra do compositor polonês em três espaços: Theatro Municipal, Auditório do BNDS e Teatro João Caetano. Uma ótima oportunidade para descobrir inúmeras composições raramente executadas em concerto.



O montinho de lixo que fica ali na beirada, personagem dos relatos da Letícia, também estava lá. Quem faz esse montinho todo dia? Essa pergunta sempre ficou no ar, mas hoje o artista também estava presente, em plena ação. Quem mais poderia ser senão o anjo negro da PV chamado Jorjão?




Está desfeito o mistério. Todo dia o Jorge cata o lixo e junta naquele mesmo lugar esperando que um gari recolha.

Preparamos o velho e acabado cabo horn e partimos para fazer o contorno da Cotunduba. Pedro ia na proa controlando o leme. O mar estava muito verde, suas águas transparentes. O vento era fraco, as ondas baixas, exceto na parte de trás da ilha onde as ondas subiam como trepadeiras nas encostas. Passamos rente as pedras até chegar na pequena enseada. Desembarcamos e colocamos o caiaque sobre a rampa de pedra e fomos curtir o sol e a bela paisagem da praia de Copacabana.



Dia tranquilo, sem sobressaltos. Depois de um tempo por alí, colocamos o caiaque na água novamente e fomos embora contornando mais uma vez a ilha. Ainda passamos pelas gaivotas  Zoraide e Zuleide que faziam uma algazarra danada numa pedra.


Um barco de pesca estava parado na parte de fora. Comprimentamos os pescadores, como fazem de hábito os marítimos. Ao passar pela bóia, hora de uma gaiatice do Pedro que pulou na água e escalou a bóia para uma foto. Depois ainda nos enfiamos na fenda que fica embaixo da pista Cláudio Coutinho.




Remada boa, nostálgica, permeada de conversas e lembranças de tantas aventuras vividas, muitas delas nesse mesmo caiaque, grande companheiro.

Desembarque rápido e seguro na PV. Mais um pouco de conversa e finalmente partimos.

A praia Vermelha é mar, é sol, é cor, é música.

Terça estarei de volta para levar o Amazônia para o conserto.